7.1.06

2006

É claro, me ausentei. Não leio mais nada, tomei algumas cervejas na praia e vi o ano novo debaixo de chuva. No meio tempo, encontrei uma casa nova e pedi por empregos.

Continuo com dores de barriga e ela, a barriga, só aumentou nesse ínterim.

Meu tornozelo também doeu e eu procurei um médico.

Assisti King Kong. É muito ruim. Recomendo passar longe.

Marco Aurélio viajará sem data de retorno previsto.

Luiz não retorna os telefonemas.

O Rio de Janeiro, dizem, continua lindo.

O tempo está muito bom por esses dias.

7.12.05

Click and donate

É preciso que se diga: mandei instalarem essa barra do Google ads aí do lado só pra não deixar isso aqui tão vazio. Realmente não imagino que ganharei qualquer centavo de dólar por um eventual clique que alguém interessado em esquiar no Canadá dê estando de passagem por aqui. Até pensei em pintá-la de azul turquesa, mas depois achei melhor não.

Enfim, acho melhor recomendar que você economize seu dinheiro nesse final de ano.

E boas festas!

5.12.05

Se (si) fue

Conforme diversas crônicas de uma morte anunciada, o Coritiba caiu para a segunda divisão do Campeonato Brasileiro de Futebol.

Espantosamente, o jogo, transmitido pela Rede Globo, passou em Curitiba, também, ontem.

Pela desgraça de tê-lo assistido do começo ao fim, a desastrosa conseqüência final me causou muito mais tristeza do que eu imaginava.

Passei a me recordar, imediatamente, dos sufocantes anos em que o time purgou na segundona, no começo da década de 1990. Quando o único meio de saber dos resultados de um hesitante glorioso era pelo radiorelógio TECHNICS da cabeceira da cama do meu pai. Nardella perdendo pênalti contra o Joinville, José Roberto Wright operando contra o Guarani. Uma sucessão de fracassos.

Tristemente, Ina, nossos verdões se encontrarão na segundona novamente.

Tenho para mim que boa parte do sentimento underdog da minha geração de paranaenses se deva devido ao fracasso de todos os clubes do estado naquela época.

Mas, se resta alguma esperança, Picos-PI, Democrata-ES, Sinop-MT e Atlético-MG que nos aguardem.

27.11.05

Renda e empregabilidade

Uma simulação da FGV, baseada em dados do censo de 2000, diz que uma pessoa na minha posição social - homem, não-afro, 25 a 29 anos, morador de área urbanizada e que freqüenta curso de mestrado ou doutorado - tem uma renda mensal média de R$ 2058,59 e uma probabilidade de 93,2% de estar ocupado.

Por algum motivo, acho que esse salário é maior do que eu mereço e que ninguém está disposto a me empregar.

Bem, alguém tem que fazer parte dos 6,8%.

Cinefilia II

Antes que me esqueça: Flores Partidas é o melhor filme de todos os tempos da última semana.

Alpinistas

Eu, como Joel Silveira, acho que não pode haver algo mais idiota que um alpinista. O sujeito vai escalar uma gigantesca montanha de neve e desaparece. Ha! Big news. Queriam o quê, que ele voltasse são e salvo?

E mais: ao chegar no topo você faz o quê? Tira umas fotos desce. Coisa incrível.

Entretanto, um conhecido diz que é como os aplinistas: "Só o cume interessa". :-)

17.11.05

Os pecados capitais de GG

Aparentemente, os deuses da fortuna futebolística riem descaradamente da cara o Coritiba. Incapaz de contar consigo próprio às vésperas de “carimbar seu passaporte” rumo à segundona, o glorioso nem sequer tem a sorte de ver seus concorrentes diretos – no caso, Figueirense, São Caetano e Flamengo – perderem suas partidas em momentos decisivos. Você pode argumentar dizendo que o Flamengo está numa fase ascendente e que o Figueira jogou em casa, numa noite inspirada do Animal, mas o São Caetano ganhar do LÍDER e melhor-time-do-campeonato Corinthians num Anacleto Campanella lotado de alvinegros, aí já é demais.

Cinco pontos separam o Coxa de São Caetano e Figueira, contando com um jogo a menos (o de hoje à noite, contra a Ponte Preta) e antevendo um confronto direto com o Azulão, na casa do adversário. Para o Verdão, não resta outra alternativa senão ganhar as três próximas partidas (Ponte, Atlético-MG e São Caetano) para não depender de uma vitória contra o muito superior time do Internacional – que virá sedento senão pelo título ao menos por uma vaga direta na Libertadores – na última rodada.

Acontece que nunca dantes neste campeonato o Cori conseguiu arrematar três vitórias seguidas. Três vitórias foi tudo que o time conseguiu em todo o segundo turno.

Em outras palavras: já era.

Entendo esse negócio da “torcida se unir” e da “corrente pra frente”. Mas sejamos realistas. Juntamente com as três equipes virtualmente já rebaixadas (Atlético, Paysandu e Brasiliense), o Coxa tem um dos piores times do campeonato. Merece o lugar que ocupa. Até consigo imaginar uma vitória suada em casa contra a Macaca e outra contra um desanimado e improdutivo Galo. Mas acho bastante improvável que o time vença o São Caetano fora de casa. Não que o Azulão seja essas coisas. Mas a equipe do Coritiba é desgraçadamente fraca. Se você viu o jogo contra o Corinthians sabe do que eu estou falando. Não há qualquer capacidade ofensiva, os jogadores de meio-campo são ruins demais e a defesa é incapaz de rebater bolas que vêm pelo alto. O melhor jogador do time (Caio) seria reserva de uma equipe mediana. Não dá. O Coxa fez por merecer essa lastimável situação.

Nessas horas, é conveninente fazer uma caça às bruxas. Procurar os bois de piranha e descobrir quem foi o responsável pela falência. Não adianta rigorosamente nada, mas ao menos você sabe quem crucificar.

No jogo contra o Corinthians, um torcedor munido de megafone gritava contra o Lopes, dizendo que a culpa era dele, por ter deixado o time para o Cuca. Pobre Lopes. Tinha sua cabeça pedida por 99% da torcida desde que chegou. Deixou o time na mesma colocação que esteve durante todo o ano passado: 13.º, 14º lugar. Depois veio o festejado Cuca, com a promessa de fazer uma campanha parecida com a de Bonamigo em 2003. Nem em sonho. Além de amargar os mesmos resultados pífios, a coisa piorou. Penso que o pior erro do treinador curitibano foi ter entrado no Atletiba da primeira fase com Rafinha na meia-esquerda. No mais, não tinha muito o que fazer. Quando se é obrigado a escalar Capixaba e Jackson sempre que possível, é porque a coisa tá feia.

Então vamos nomear de uma vez por todas nosso bode expiatório. Ele, o ex-secretário da Fazenda do Paraná, ex-candidato ao governo do estado pelo PSC, advogado militante e atual presidente do Clube: Giovani Gionédis, o GG.

Nunca fui fã da presença de Gionédis no comando do clube. Achava que sua gestão seria “populista”: montaria times recheados de medalhões em fim de carreira e afundaria o clube em dívidas. Não foi bem assim. Gionédis foi até que bem linha dura com os gastos. Teve a sorte de ver emergir uma bela geração de juniores (Adriano, Rafinha e Marcel entre eles) e gastou bastante (ainda que na hora errada) quando foi preciso, na Libertadores-04. E sempre lutou pela permanência de técnicos no comando, coisa que nenhum time no Brasil faz (exceto talvez pelo São Raimundo, do Amazonas).

Mas GG errou na hora em que menos podia errar: quando a situação se mostrava alarmante.

Primeiro, a venda desenfreada dos poucos jogadores que ainda demonstravam algum futebol (especialmente Fernando, Miranda e Rafinha). Depois, quando os “reforços” para 2005 começaram a pipocar, como Marquinhos, Jackson e mesmo o perna-de-pau Marciano, GG não soube enxergar a calamidade da equipe que permanecia. Chamou seus jogadores de “pangarés” e se recusou a trazer alguém que talvez salvasse a lavoura. Veio Renaldo, que já não vinha jogando nada no Paraná e jogou menos ainda no Verdão. Vieram Elton, Humberto, Maia (quem?). Muitas apostas e nenhum rendimento. Puro amadorismo em se tratando de gestão do futebol.

Mas talvez o pior pecado de GG tenha sido, na ânsia de ter um técnico “com projeto de equipe”, após a demissão de Cuca – depois de três derrotas consecutivas –, promover o inexperiente e inseguro Lopes Júnior ao comando da equipe. A idéia, posso imaginar, era que LJr levasse o resto do campeonato em banho-maria e em 2006 a gente vê. Melhor seria que Cuca tivesse permanecido. Foram outras cinco derrotas, três técnicos diferentes (LJr, Cláudio Marques e Márcio Araújo) e o que restava de autoconfiança do grupo para o lixo. Depois da inconcebível derrota para o Flamengo, GG bradou e mandou LJr e Sérgio Ramirez aos leões e o que estava feito, estava feito. Coxa na segunda divisão.

Ao tentar supervalorizar seus “pangarés”, os jogadores e o filho de Lopes, GG não percebeu que dali não poderia vir nada de bom. Foi cego ao não enxergar que, se até então a equipe não tinha demonstrado qualquer qualidade, como, com a situação piorando calamitosamente, a coisa poderia melhorar naturalmente? Assim, o que era apenas medíocre tornou-se uma tragédia.

E, para comprovar sua incompetência durante a crise, GG admitiu, em off, que o maior erro que cometeu foi ter demitido Lopes no começo do campeonato. Não, GG. Lopes pode até ter feito alguma coisa pelo Atlético e ser campeão com o Corinthians. Mas, com esse time, não teria feito muito diferente dos seus sucessores, não.

Segundona à vista. Chora, torcida coxa-branca.

11.11.05

Cefaléia

Na chamada para o Globo Repórter, Ernesto Paglia nos informa que os médicos já descobriram 200 tipos diferentes de dor de cabeça.

Uma delas, com certeza, é minha.

8.11.05

Para Requião, entrevista de Lula foi uma “vergonha”

O gov lamentou que a entrevista tenha sido transmitida pela Paraná Educativa, tevê estatal que transmite parte da programação da TV Cultura. Se soubesse de antemão que se tratava de um "encontro do PSDB da TV Cultura com o PSDB do Banco Central", mandava passar desenhinho no lugar do Roda Viva.

Dia desses, Ricardo Costa de Oliveira, cientista político, chefe da coordenadoria de Ciência e Política da Secretaria de Estado da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior do Paraná e professor do programa de pós-graduação em Sociologia da UFPR, avaliou que o gov é um tanto quanto "centralizador", léxico que, na minha interpretação, poderia ser perfeitamente substituído por "autoritário". A conversa girava em torno de um recente encontro entre o gov e jornalistas em Cascavel, onde o chefe chamou a classe de "cachorrada" e disse que tinha vontade de devolver seu diploma de jornalista.

Ideologicamente o gov se define como um "intelectual orgânico (gramsciano) das classes populares". Ueba!